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Reconhecendo que o futuro da conservação da Amazônia, em última instância, está nas mãos dos povos indígenas, a The Nature Conservancy está comprometida a fornecer aos povos com indígenas a formação, os recursos e as ferramentas de que eles necessitam para gerir as suas terras e águas para as gerações futuras. O principal elemento da TNC na iniciativa de formação indígena é o Centro Amazônico de Formação Indígena (CAFI), localizado em Manaus, Amazonas, e gerido em parceria com COIAB (a maior e mais respeitada coordenação indígena do Brasil).
Histórico
Na década de 1990, o governo brasileiro reconheceu formalmente os direitos à terra dos povos indígenas, e hoje mais de 400 reservas indígenas sustentam cerca de 300.000 habitantes. Totalizando 103 milhões de hectares, as Terras Indígenas perfazem 20 por cento da Amazônia brasileira, uma área quase do tamanho dos estados da Califórnia, Texas, Flórida e combinados. Estas reservas relativamente intactas protegem alguns dos maiores trechos contínuos de floresta amazônica. Eles são extremamente importantes para a conservação, mas são ameaçados pela agricultura e pecuária, exploração madeireira ilegal, invasões, entre outros fatores. Por isso, o destino das Terras Indígenas é uma das questões mais importantes na conservação da floresta tropical hoje.
Um número crescente de organizações indígenas amazônicas reconhece que a sua longa luta pela terra significará pouco se eles não forem capazes de gerir eficazmente os seus substanciais recursos ambientais. Apesar do rápido crescimento do sistema de reservas indígenas, as agências governamentais e ONGs pouco têm apoiado nesta área. Para satisfazer essa necessidade vital, em 2006, em parceria com a TNC, a COIAB estabeleceu o CAFI, o primeiro centro de formação indígena dedicado à formação para a conservação da Amazônia.
Descrição do Programa
O CAFI ajuda as organizações indígenas no desenvolvimento de planos de gestão para suas reservas; serve como um repositório de informações sobre as principais áreas indígenas; produz manuais e outros materiais de formação; planeja e oferece oficinas para lideranças indígenas, e provê treinamento intensivo para jovens indígenas (homens e mulheres), criando um nova geração de líderes em conservação. Atualmente atuando em parceria com a COIAB, a TNC planeja entregar completamente a gestão de CAFI à COIAB ao longo dos próximos anos, enquanto continua a fornecer aconselhamento e orientação.
Formando Líderes em Conservação. Desde a sua fundação, em 2006, o CAFI já formou 64 jovens líderes indígenas a partir de nove diferentes estados Amazônia nas políticas públicas e gestão das terras técnicas. Outros vinte alunos estão na turma de 2009 e serão diplomados em dezembro de 2009. Escolhidos por suas aldeias, esses homens e mulheres vivem em Manaus inicialmente por nove meses, e freqüentam aulas no CAFI todos os dias. Sua formação inclui módulos de: gestão de projetos; Sistemas de Informação Geográfica (GIS) e outras tecnologias, planejamento e gestão ambiental; etnomapeamento (que junta a moderna tecnologia SIG com o conhecimento indígena para o mapeamento); além de política ambiental e indígena. Eles complementam o curso com as visitas e trabalho de campo, que fornece experiência prática na criação e implementação de planos de gestão. O CAFI cobre o custo da formação, bem como as despesas de deslocamento de cada aluno. Também oferece a cada aluno uma bolsa modesta para os gastos do dia-a-dia.
Apear e seu pouco tempo de funcionamento, os estudantes e diplomados do CAFI já estão começando a deixar suas marcas. Um graduado desenvolveu o conhecimento em técnicas de sensoriamento remoto, adquirido no CAFI, através da participação em um estágio intensivo em uma dos mais reconhecidas institutos de pesquisa da Amazônia, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA). Hoje esse aluno trabalha para a associação indígena da sua região de origem, o CIR (Conselho Indígena de Roraima), como especialista em SIG, digitalizando etnomapas feitos à mão e criando mapas de áreas importantes da sua reserva - ferramentas poderosas que ajudam a organização indígena a gerir as suas terras e também protegê-las de invasões externas.
Cursos nas aldeias. Nem todos os líderes podem deixar as suas aldeias para receber treinamento no Centro de Formação, especialmente a liderança mais ativa e de mais idade. Assim, no ano passado, o CAFI iniciou um curo especializado baseado no campo e oferecido em módulos. Os três módulos foram realizados em comunidades indígenas na Amazônia, no estado de Rondônia.
Planejando uma Rede de Centros de Formação. Para influenciar na conservação na escala da Amazônia inteira, os povos indígenas terão que treinar milhares de pessoas em gestão das suas terras. Devemos, portanto, ligar os esforços do CAFI com os de outras iniciativas de formação na Amazônia para maximizar o uso de nossos recursos e criar uma rede regional aprendizagem. Essa rede serviria não só para apoiar os graduados do CAFI, mas também os líderes indígenas em toda a bacia Amazônica. Para planejar essa rede, a equipe da TNC deve primeiro identificar, classificar e mapear programas pertinentes. Isso inclui, por exemplo, o programa de treinamento de guarda-parques no Equador, liderado pelos Cofán e uma escola de formação docente, que inclui um programa de educação ambiental e é oferecido pelos Ashaninkas no Acre. Depois de criar uma base de dados desses programas, a equipe da TNC irá visitar vários centros de formação, estudo seus currículos e comparar as suas estratégias com as do CAFI. Então a TNC e a COIAB utilizarão essa informação para estabelecer as bases para a criação uma rede de intercâmbio de aprendizagem que melhor satisfaça as necessidades do CAFI e grupos indígenas.
Avançando
Ajudar os povos indígenas a conservar suas terras representa a nossa última e melhor oportunidade para proteger a maior floresta tropical do planeta e as culturas que dependem dela. Com sua ajuda, podemos garantir a sobrevivência da biodiversidade única e vibrante da Amazônia, além de deixar um legado sustentabilidade ambiental, cultural e econômica.
Crédito das fotos (fotos no topo, esquerda e direita): foto © Haroldo Palo Jr (Caneiro Rio Amazonas); foto © Lorenda Raiol (Indio) e foto da entrevistada, © Lorenda Raiol.
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