Workshop reúne autoridades em recursos hídricos
Parece que as recentes mudanças climáticas estão chamando a atenção não apenas de ambientalistas, mas também mobilizando outros países para unir-se com um único propósito: conservar a natureza. Prova disso foi o evento que aconteceu entre os dias 23 a 27 de abril, em Brasília, a Semana da Caatinga, uma iniciativa da Embaixada da Suíça em parceria com o Ministério do Meio Ambiente. O evento, apoiado pela The Nature Conservancy, mostrou aos participantes a importância do bioma Caatinga e a urgência na sua valorização, uma vez que ela é um dos únicos patrimônios naturais que possuímos. Além disso, tem despontado como um pólo atrativo para investimentos privados e de governos estrangeiros, principalmente nos setores de agropecuária sustentável, extração e ecoturismo. Por isso, segundo ambientalistas, vale a pena voltar-se para a Caatinga com um cuidado especial. Um dos destaques da Semana da Caatinga vai para a Aliança da Caatinga, pacto lançado no dia 26 pela The Nature Conservancy e a Associação Caatinga, em parceria com seis instituições representantes de proprietários de reservas particulares. A Aliança, criada com vistas a promover a conservação em áreas prioritárias naquele bioma, visa trabalhar com proprietários de terras em todos os estados do Nordeste e Minas Gerais. Ocupando 11% do território nacional (750.000km²), a Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro. Ela engloba de forma contínua parte dos estados do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e parte do Norte de Minas Gerais (Sudeste do Brasil). Sua vegetação é adaptada às condições de aridez. Quanto à flora foram registradas, até o momento, cerca de 1000 espécies, estimando-se que haja um total de 2000 a 3000 plantas. Com relação à fauna, esta é depauperada, com baixas densidades de indivíduos e poucas espécies endêmicas. Apesar da pequena densidade e do pouco endemismo, já foram identificadas 17 espécies de anfíbios, 44 de répteis, 695 de aves e 120 de mamíferos, pouco se conhecendo em relação aos invertebrados. Descrições de novas espécies vêm sendo registradas indicando um conhecimento botânico e zoológico bastante precário deste ecossistema, que segundo pesquisadores é considerado o menos conhecido e estudado dos ecossistemas brasileiros. Além da importância biológica, ela ainda apresenta um potencial econômico ainda pouco valorizado, como já citado. Em termos forrageiros, apresenta espécies como o pau-ferro, a catingueira verdadeira, a catingueira rasteira, a canafístula, o mororó e o juazeiro que poderiam ser utilizados como opção alimentar para caprinos, ovinos, bovinos e muares. Entre as de potencialidade frutífera, destacam-se o umbú, o araticum, o jatobá, o murici e o licuri e, entre as espécies medicinais, encontram-se a aroeira, a braúna, o quatro-patacas, o pinhão, o velame, o marmeleiro, o angico, o sabiá, o jericó, entre outras. Porém, este patrimônio nordestino encontra-se ameaçado. A exploração feita de forma extrativista pela população local, desde a ocupação do semi-árido, tem levado a uma rápida degradação ambiental. Segundo estimativas, cerca de 70% da caatinga já se encontra alterada pelo homem, e somente 0,28% de sua área encontra-se protegida em unidades de conservação. Estes números conferem à caatinga a condição de ecossistema menos preservado e um dos mais degradados. Conscientes disso, a Semana da Caatinga visou expor todas estas questões e apresentar prováveis soluções para que no futuro a Caatinga possa estar totalmente conservada. Uma das idéias expostas foi o desenvolvimento sustentável, onde as atividades são desenvolvidas de forma consciente para não agredirem o ecossistema.
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