Desde 2001, a TNC vem utilizando a inovadora ferramenta do etnomapeamento como um processo chave no seu trabalho com povos indígenas da Amazônia. Trata-se de um mapeamento participativo realizado em íntima colaboração com membros de comunidades indígenas, compondo uma etapa fundamental no desenvolvimento de planos de gestão dos recursos naturais de suas reservas.
O processo de mapeamento parte de imagens de satélite de uma dada terra indígena. Através de reuniões comunitárias nas aldeias, com uso do conhecimento tradicional, as comunidades indígenas interpretam as imagens de satélite e inserem anotações e simbologias em pontos de interesse. Dentre as informações inseridas é freqüente encontrar aldeias, áreas de recursos naturais abundantes, áreas sob ameaças (invasões para caça, mineração e extração de madeira), zonas de caça e pesca, áreas de ninhais, de reprodução e de ocorrência de espécies raras, além de sitios históricos, culturais e espirituais.
Após o processo de mapeamento nas aldeias, que pode durar vários meses, os mapas são digitalizados em laboratórios de informática. Deste modo é possível fazer impressões e devolver os etnomapas para as comunidades indígenas que, assim, podem utilizá-los como uma ferramenta central no planejamento e gestão dos recursos naturais dentro de suas reservas. Os mapas também são ferramentas poderosas na execução de políticas públicas, de fiscalização e proteção do território, uma vez que facilitam a comunicação dos povos indígenas junto aos tomadores de decisão e autoridades locais.
O etnomapeamento é um passo culturalmente apropriado para que os povos indígenas possam determinar o seu próprio futuro e, consequentementem, o da Amazônia também.
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