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Ana Claudia Perazzolo
aperazzolo@tnc.org

TNC e parceiros lançam o I Diálogo do Cacau

Evento discute importantes assuntos para a sustentabilidade da cadeia produtiva do Cacau.

Seguindo o exemplo do bem-sucedido Diálogo Florestal, uma iniciativa que reúne organizações ambientalistas e empresas do setor florestal na Mata Atlântica, foi lançado nos dias 26 e 27 de novembro em Ilhéus (BA), a primeira edição do Diálogo do Cacau – um fórum de debates que conta com a participação de importantes profissionais ligados à cadeia produtiva do cacau e as questões socioambientais desta cultura na região.

A iniciativa parte da The Nature Conservancy (TNC) em parceria com importantes organizações ambientais e socioambientais como Care International, Conservação Internacional (CI), Instituto Cabruca, Instituto de Estudos Socioambientais da Bahia (IESB), Instituto Floresta Viva, Instituto Uiraçu, entidades locais, além de representantes dos produtores de cacau e da indústria como Cargill Cocoa, Cooperativa Cabruca, Associação dos Produtores de Cacau (APC) e da Câmara Setorial do Cacau, que é vinculada ao Ministério da Agricultura. Na ocasião, os participantes poduram dar suas contribuições em busca de uma visão comum entre produtores e conservacionistas. A cidade foi estrategicamente escolhida para sediar o evento, por ser um pólo cacaueiro muito tradicional, mas principalmente por estar num ponto central em relação aos municípios atendidos pela CEPLAC (órgão de extensão rural que auxilia os produtores de cacau).

A realização do Diálogo do Cacau se dá num momento crucial para o setor, já que, com a divulgação do PAC do Cacau, em que foi anunciada a destinação de R$ 2,2 bilhões para a região Cacaueira do Sul da Bahia, os produtores de cacau representados pela APC estão alertas sobre a forma que o processo vem sendo conduzido.

De acordo com Henrique Almeida, presidente da APC, apesar da boa vontade demonstrada pelos governos Federal e Estadual em resolver a problemática do Cacau, ainda assim essa proposta não considera a realidade vivida pelos cacauicultores com impacto sobre a economia, meio ambiente e a sociedade. “O Cacau é uma cultura agroflorestal, que durante 250 anos, além de gerar divisas e riquezas não só para o Estado, mas também para o País, é reconhecida como a atividade agrícola que menos impactos provoca no bioma Mata Atlântica”. Isso se deve ao fato de cerca de 70% do cacau da Bahia ser cultivado debaixo das copas das florestas, dentro de um sistema agro-florestal chamado “cabruca”. Além de proteger a cobertura florestal, a cabruca preserva o habitat para a biodiversidade local.

O especialista ressalta ainda que para se recuperar a lavoura de cacau de forma que ela volte a produzir riquezas se fazem necessários financiamentos com prazos de carência maiores, pois o cacau se torna produtivo após no mínimo oito anos. 

Esta situação concorre para que o sistema conhecido como Cacau-Cabruca, responsável pela manutenção de um dos maiores blocos contínuos de Mata Atlântica do nordeste brasileiro esteja ameaçado, sendo importante para a conservação da biodiversidade, solo e água, além de muitas outras funções como a conexão entre fragmentos de floresta nativa, os chamados corredores ecológicos. Além de ser uma cultura responsável por grande parte dos empregos gerados na região, com uma estrutura agrária de baixa concentração fundiária ao contrário de outras lavouras.