Produtores de Santarém aprendem como recuperar a Floresta Amazônica
Santarém, PA — 24 de julho de 2006 — No momento em que associações como a Abiove (Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais) e Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) anunciam que não irão comprar soja cultivada em áreas desmatadas na Amazônia, produtores de grãos e representantes de instituições de ensino e pesquisa da região de Santarém e Belterra, Pará, participam a partir de hoje do curso em técnicas de recuperação de áreas degradadas e matas ciliares. O evento acontece em Santarém, de 25 a 27 de julho. O objetivo do curso é capacitar os agricultores da região a identificar áreas que devem ser protegidas pelo Código Florestal, como as Áreas de Proteção Permanente (APPs), e como recuperá-las no caso terem sido degradadas. O curso será ministrado por especialistas do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal (ESALQ/USP), com realização da The Nature Conservancy (TNC) e do Sindicato Rural de Santarém (SIRSAN).
Este é um dos primeiros treinamentos a serem oferecidos sobre o tema. O curso aborda teoria e prática quanto a aplicação de técnicas básicas em restauração ecológica, legislação ambiental, criação de corredores ecológicos, e o monitoramento da recuperação de áreas degradadas em propriedades rurais. Dentro as instituições também participantes do evento estão: Secretaría Executiva de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente (SECTAM) do Estado do Pará e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Renováveis (IBAMA) do Governo Federal.
Segundo Ana Cristina Barros, Representate da TNC no Brasil, o curso é um exemplo concreto do tipo de apoio técnico que ONGs, empresas e associações podem oferecer para os agricultores. “Muitos produtores querem recuperar suas florestas, mas não sabem como. Trazer a floresta de volta exige muito mais do simplesmente plantar árvores. Esperamos que eles ponham em práctica as técnicas aprendidas para a recuperação das suas florestas,” afirma Ana Cristina. O curso faz parte do Projeto Soja Responsável da The Nature Conservancy, uma iniciativa desenvolvida há dois anos pela organização, como apoio da Embaixada do Reino Unido, para identificar mecanismos que favoreçam os produtores a se adequarem ao Código Florestal. O projeto piloto tem o apoio da Cargill Agrícola S.A. e parceria do Sindicato Rural de Santarém (SIRSAN) e os produtores de grãos de Satarém e Belterra.
“O curso vem atender uma das maiores preocupações do sindicato que é trabalhar respeitando a legislação ambiental. A transferência de conhecimento técnico para o produtor rural é fundamental para que eles possam recuperar áreas degradadas,” explica Adinor Batista dos Santos, atual presidente do Sindicato Rural de Santarém (SIRSAN), o principal entidade representate dos produtores de grãos da região.
O Código Florestal exige que 80% das propriedades na região amazônica sejam protegidos, bem como as áreas de mata ciliar. O Projeto Soja Responsável busca desenvolvendo melhores práticas de gerenciamento agrícola baseadas em ciência e na boa gestão ambiental, garantindo a produtividade a saúde duradoura dos ecossistemas e da paisagem da região.
Além deste projeto piloto na Amazônia, a TNC tem experência na consolidação da conservação de áreas privadas em outros biomas do Brasil, incluindo a Mata Atlântica e o Cerrado. Uma destas iniciativas, em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, reúne mais que 12 parceiros, incluindo empresas do setor de agronegócio. O objetivo é promover o processo de regularização sócio-ambiental das propriedades rurais do município, compatibilizando o desenvolvimento agro-pecuário e a conservação ambiental da região.
O curso “Técnicas de Recuperação de Áreas Degradadas” acontece nos dias 25-27 de julho, 2006, das 8hs às 17hs no Hotel Barão Center, Avenida Barão do Rio Branco No. 344, Centro, Santarém, PA.
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